O choque elétrico é um dos acidentes mais perigosos no ambiente de trabalho e pode causar queimaduras, lesões internas, alterações no coração, danos aos nervos e até a morte. Muitos desses acidentes acontecem por excesso de confiança, falta de treinamento, falhas na manutenção das instalações, uso incorreto de ferramentas ou por não seguir as regras de segurança previstas nas normas regulamentadoras.

Por isso, conhecer os riscos da eletricidade, entender o que a NR 10 exige e saber como agir em uma emergência são partes importantes da prevenção de acidentes no trabalho. Empresas, gestores e trabalhadores dividem a responsabilidade de criar um ambiente mais seguro e diminuir a exposição aos perigos presentes nas atividades com energia elétrica.

No artigo de hoje, você vai entender o que é choque elétrico, quais são as orientações da NR 10, o que fazer se acontecer um acidente, quais os principais sintomas de choque no corpo, como evitar esse tipo de acidente e quais EPIs são necessários para quem trabalha com eletricidade. Continue a leitura!

O que é choque elétrico?

O choque elétrico ocorre quando uma corrente elétrica passa pelo corpo humano depois do contato com uma fonte energizada. Esse contato pode acontecer de forma direta, quando a pessoa toca um fio ou uma parte energizada, ou indireta, quando ela toca em partes metálicas que ficaram energizadas por causa de falhas no sistema elétrico.

A gravidade do acidente depende de vários fatores, como a intensidade da corrente elétrica, o tempo de exposição, o caminho que a corrente faz pelo corpo, a tensão elétrica, a resistência da pele, a umidade do ambiente e as condições físicas da vítima.

Quando a corrente passa por regiões como coração, pulmões ou cérebro, o risco aumenta de forma significativa. Mesmo correntes consideradas baixas podem causar consequências graves, dependendo das condições do acidente.

Outro ponto importante é que nem todo choque elétrico deixa marcas visíveis na pele. Em muitas situações, os danos internos são mais graves do que as lesões externas, por isso é importante passar por avaliação médica depois de qualquer acidente com eletricidade.

Nas empresas, os acidentes costumam acontecer durante serviços de manutenção elétrica, instalação de equipamentos, intervenções em painéis, uso de ferramentas danificadas, contato com cabos energizados ou falhas nos procedimentos de bloqueio e desligamento da energia.

Como a eletricidade afeta o corpo humano?

Quando a corrente elétrica passa pelo corpo, ela atrapalha diretamente o funcionamento dos músculos, nervos e órgãos internos. Quanto maior a intensidade da corrente e o tempo de contato, maiores tendem a ser os danos.

Entre os principais efeitos estão a contração involuntária dos músculos, que impede a pessoa de soltar o objeto energizado, alterações na respiração, queimaduras profundas e alterações no ritmo do coração.

Outro efeito preocupante é a fibrilação ventricular, uma condição que atrapalha o funcionamento do coração e pode levar à parada cardiorrespiratória caso não haja atendimento rápido.

Também podem acontecer lesões nos tecidos internos, danos aos nervos, fraturas causadas pela queda depois do choque e alterações neurológicas que podem aparecer horas ou dias depois do acidente.

Mesmo quando o trabalhador diz que sentiu apenas um pequeno choque, procurar acompanhamento médico pode ser uma medida prudente para identificar possíveis complicações que não aparecem na hora.

Qual NR fala sobre choque elétrico?

A principal norma relacionada à segurança em atividades com eletricidade é a Norma Regulamentadora nº 10, conhecida como NR 10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade.

A NR 10 estabelece requisitos para garantir a proteção dos trabalhadores que fazem atividades envolvendo instalações elétricas e serviços com energia elétrica, tanto de forma direta quanto indireta.

Seu objetivo é reduzir acidentes por meio de medidas de controle, organização do trabalho, capacitação profissional e adoção de procedimentos técnicos.

Entre os principais requisitos previstos pela NR 10 estão:

  • Capacitação e treinamento dos trabalhadores;
  • Análise de riscos antes da execução das atividades;
  • Elaboração de procedimentos de trabalho;
  • Utilização correta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs);
  • Uso de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs);
  • Desenergização sempre que tecnicamente possível;
  • Bloqueio e sinalização das fontes de energia;
  • Inspeção periódica das instalações elétricas;
  • Documentação técnica atualizada;
  • Permissão para trabalhos específicos.

A norma também determina que somente profissionais autorizados e capacitados façam atividades em instalações elétricas, reduzindo a chance de erros que podem resultar em acidentes graves.

Outro aspecto importante é a reciclagem periódica dos treinamentos, que permite atualizar os conhecimentos, revisar os procedimentos e fortalecer a cultura de segurança dentro das empresas.

O que fazer caso um trabalhador sofra um choque elétrico?

O primeiro passo é cortar a fonte de energia elétrica. Sempre que possível, deve-se desligar o disjuntor, a chave geral ou outro dispositivo responsável pelo circuito. Caso não seja possível desligar na hora, ninguém deve tocar diretamente na vítima enquanto ela estiver em contato com a fonte energizada.

Se for preciso afastar a vítima da corrente elétrica, usar materiais isolantes, como madeira seca ou equipamentos apropriados, desde que isso não coloque outra pessoa em risco.

Depois de eliminar o contato com a eletricidade, verificar o estado de consciência, a respiração e os sinais vitais da vítima. Caso ela não apresente respiração ou pulso, iniciar imediatamente a reanimação cardiopulmonar por pessoas treinadas e acionar o serviço de emergência.

Mesmo quando o trabalhador parecer estar bem, é recomendado encaminhá-lo para avaliação médica, pois alterações no coração e lesões internas podem aparecer depois do acidente.

Também deve acontecer o isolamento da área, a preservação do local quando necessário, a investigação das causas e o registro da ocorrência para identificar as falhas que provocaram o acidente.

A análise feita depois do acidente permite rever procedimentos, corrigir falhas e evitar que situações parecidas aconteçam de novo.

Quais são os sintomas de eletricidade pelo corpo?

Os efeitos da corrente elétrica variam conforme as características do acidente. Alguns sintomas aparecem na hora, enquanto outros podem surgir horas depois do contato.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Dor intensa;
  • Formigamento;
  • Dormência;
  • Contrações musculares involuntárias;
  • Dificuldade para movimentar braços ou pernas;
  • Queimaduras na pele;
  • Alterações respiratórias;
  • Confusão mental;
  • Tontura;
  • Desmaio;
  • Alteração da frequência cardíaca;
  • Perda de consciência.

Em acidentes mais graves podem acontecer parada cardiorrespiratória, convulsões, lesões neurológicas, fraturas por causa de quedas e queimaduras profundas que atingem músculos, tendões e ossos.

Também existem casos em que a corrente entra por uma região do corpo e sai por outra, causando danos internos ao longo de todo o caminho percorrido pela eletricidade.

Maneiras de evitar choque elétrico

Prevenir o choque elétrico exige atenção em vários pontos, desde o comportamento dos trabalhadores até a manutenção das instalações. A seguir, veja algumas medidas simples que ajudam a reduzir os riscos no dia a dia.

Capacitar os trabalhadores

Fazer treinamentos periódicos ajuda a desenvolver conhecimento sobre riscos elétricos, procedimentos seguros, uso correto dos equipamentos e resposta diante de emergências.
Profissionais bem preparados conseguem identificar situações perigosas antes que elas causem acidentes.

Realizar inspeções nas instalações elétricas

Painéis, cabos, tomadas, dispositivos de proteção e sistemas elétricos devem passar por inspeções periódicas. Essa prática permite identificar desgastes, aquecimento, conexões inadequadas, componentes danificados e outras condições que aumentam o risco de acidentes.

Utilizar EPIs adequados 

Luvas isolantes, capacetes, óculos de proteção, roupas apropriadas, calçados isolantes e outros equipamentos devem ser usados conforme o tipo de atividade realizada. Os equipamentos precisam estar em boas condições de conservação e dentro do prazo de inspeção quando for o caso.

Adotar Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs)

Barreiras físicas, sinalização, bloqueios, aterramentos temporários, dispositivos diferenciais residuais e sistemas de proteção coletiva reduzem a exposição dos trabalhadores aos riscos elétricos. Essas medidas completam o uso dos EPIs e aumentam o nível de segurança das atividades.

Desenergizar sempre que possível

Fazer serviços em instalações desligadas é uma das formas mais eficazes de reduzir acidentes. Sempre que houver possibilidade técnica, desligar a energia, bloquear os dispositivos de acionamento e confirmar a ausência de tensão antes de começar as atividades.

Manter organização no ambiente

Cabos espalhados, improvisações, extensões danificadas e equipamentos sem manutenção aumentam o risco de acidentes. Organizar o local de trabalho facilita a circulação das pessoas e reduz a chance de contato acidental com componentes energizados.

Seguir procedimentos operacionais

Cada atividade deve ter um procedimento definido, contendo etapas de execução, identificação dos riscos, medidas preventivas e responsabilidades. Cumprir esses procedimentos reduz improvisações e padroniza as atividades feitas pela equipe.

Desenvolver uma cultura de segurança

Lideranças precisam incentivar boas práticas, promover conversas sobre segurança, estimular a comunicação de riscos e corrigir comportamentos inseguros antes que causem acidentes. Quando a segurança faz parte da rotina da empresa, os trabalhadores passam a reconhecer perigos com mais facilidade e adotam atitudes preventivas durante suas atividades.

A importância da prevenção de acidentes com eletricidade

Os acidentes elétricos podem gerar afastamentos, perda de produtividade, interrupção das operações, aumento dos custos operacionais e processos judiciais. Criar um ambiente seguro exige planejamento, manutenção preventiva, treinamentos, inspeções periódicas e cumprimento das normas regulamentadoras.

Também exige participação ativa dos trabalhadores, que devem comunicar condições inseguras, usar corretamente os equipamentos de proteção e seguir os procedimentos estabelecidos para cada atividade. A boa gestão, o conhecimento técnico e o comportamento seguro reduzem de forma significativa a exposição aos riscos presentes nas atividades com eletricidade.

Conclusão

A NR 10 estabelece requisitos que orientam empresas e profissionais na execução segura de serviços com eletricidade, definindo critérios para capacitação, organização do trabalho, uso de equipamentos de proteção e adoção de procedimentos técnicos.

Da mesma forma, saber como agir diante de uma emergência pode diminuir consequências graves e aumentar as chances de recuperação da vítima.

Prevenir acidentes com eletricidade depende de vários fatores como instalações adequadas, manutenção contínua, treinamento constante, inspeções, uso correto de EPIs e EPCs, cumprimento dos procedimentos operacionais e o fortalecimento de uma cultura voltada para a segurança do trabalho. Colocar essas práticas em ação no dia a dia é o que contribui para proteger a vida de quem trabalha com eletricidade.

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